quinta-feira, 5 de março de 2009

Goiânia, uma cidade fêmea

Li que a população feminina superou a masculina no país. Em Goiânia, isso é fato consumado e perceptível já faz algum tempo. Ma eu, como sempre, fui um dos últimos a notar. Só agora comecei a adestrar os olhos para ver a discrepância numérica entre mulheres e homens nas ruas, praças, empresas e famílias goianienses. Minhas observações me levaram à seguinte conclusão: quando você vê mais mulheres que homens em pontos de ônibus, bares e na direção de motos, então algo surpreendente deve estar acontecendo.

Viver numa cidade apinhada de mulheres tem suas particularidades. Por exemplo, topar com moças lindas na fila do banco, na viela da casa da sua avó, saindo do hospital, vendendo peixe na feira, te parando numa blitz ou em algum acidente de carro. Com o tempo, porém, você vai se acostumando e deixando a adolescência (esse hiato na vida racional do homem) de lado, apenas para constatar: não é que elas são tão bonitas, é que são muito produzidas. As goianienses usam salto alto para ir à padaria. Usam maquiagem para passear com o cachorro ao redor do quarteirão. Eu me lembro inclusive de uma conhecida que passava um “lápis de leve” para ir à academia. Suspeito que seja uma reação instintiva à forte concorrência, ou só provincianismo mesmo. Dizem que na vida noturna a coisa é ainda mais séria, mas como eu não tenho vida noturna, me contento com os exemplos diurnos: topar com decotes, salto-agulha e bochechas rosadas no 008 em plena Praça Cívica às 8 horas de uma manhã de quinta feira é uma experiência que merece ser vivenciada. Ou não.

Outra peculiaridade é a inevitável pressão sobre os solteiros. Ora, com tanta disponibilidade no mercado, de que buraco nós retiramos essa abstinência toda? Mesmo caras como eu, desprovidos de doses expressivas de mojo (seja lá o que isso queira dizer), conseguem realmente um ou dois olhares quando se aventuram por aí. Usar argumentos como “eu não estou procurando agora” ou “estou me dedicando à vida profissional primeiro” costuma ser uma atitude muito mal vista, até por que a segunda maior população da cidade é a de viados. Então, se você é solteiro, e não tem o costume de passar o rodo geral na balada, obviamente você é uma bicha (essa é pra você, Franco).

O fato é que, e não se trata de uma desculpa pelo meu fracasso amoroso, quantidade nunca foi sinônimo de qualidade. Geralmente indica o oposto, realidade de comprovação imediata em Goiânia. De cada 40 mulheres com que você topa na rua, 20 são tias simpáticas e assexuadas, sendo que 10 dessas 20 são literalmente suas tias. Das 20 restantes, 4 são senhoras respeitáveis, 4 são senhoras não muito respeitáveis e 2 são putas a paisana. Das 10 sobreviventes, 4 possuem leitão a pururuca com farofa ao invés de cérebro, 5 possuem angu com beterraba ao invés de cérebro e 1 é uma combinação tão perfeita de graça, inteligência, beleza e charme que você tem medo de que, se piscar forte, ela desapareça numa nuvenzinha azul. Então, quando você confirma que a moça não é um holograma, e tenta alguma aproximação, descobre que ela namora há 7 anos. Com um paulista. No fim viram amigos. Mais uma realidade interessante de Goiânia: um solteiro como eu tem tantas amigas bonitas, simpáticas, inteligentes e comprometidas que ele mesmo começa a se perguntar se não é um viado. ( não Franco, eu não sou. Tente o Victor).


10 comentários:

  1. Eu sou solteiro porque estou me dedicando à minha carreira profissional. E é sério!

    E os termos "viados" e "bicha" são politicamente incorretos. Só não vou me queixar porque ser politicamente correto é de coisa de frutinha.

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  2. hahaha, a-d-o-r-e-i. :D

    ixi, se essas garotas se produzem às 8h da manhã, eu estou no sal. não me arrumo direito nem pra sair. :x

    uahauhauah. belo texto. ;**

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  3. Adoro!

    Ainda ontem eu tava vendo Os Normais e tinha uma cena assim: o Ruy enchia o saco da Vani, porque ela pagou uma nota por uma "Escova Japonesa". Aí ela soltou essa: "o que você queria? Que eu passasse uma chapinha no salão de uma bicha de goiânia?" Ai como eu ri.

    P.S.: Repare que eu sou a 45646ª menina a comentar este texto.

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  4. Bem, eu morava em Juiz de Fora (capital formadora de misses e capital formadora de gays) e agora vim pra Viçosa (cidade universitária, repleta de cursos femininos e claro, fica em Minas, onde os homens morrem em guerras por queijo e a população feminina sempre foi majoritária) então sei bem do que você está falando...

    Com o agravante de que em Juiz de Fora existem provas contundentes de que as meninas já nascem maquiadas e no pré-natal é possível ver lápis de olho ao lado da placenta durante o ultrassom.

    E eu atualmente estou me dedicando ao trabalho também...Sério!

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  5. Umas partes achei um tanto machista. Mas pode ser só TPM.
    =)

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  6. Vou te criticar, então releve. Eu acho super normal usar lápis de olho para ir à padaria ou ao supermercado. Um dia desses desci no elevador com um vizinho meu, que estava acompanhado da namorada. Ele virou pra ela e disse: Vc não passou nem um batonzinho??? Ela ficou sem graça, em primero lugar pela estupidez do cara e em segundo, por eu estar com os olhos marcados, as bochechas coradas e a boca ligeiramente rosa antigo! Fazer o que...

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  7. respondendo a Fran:

    acho q existe uma linha tênue, muito tênue entre machismo e natureza masculina...

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  8. Ah, não entendo nada de natureza masculina. Mas entendo um pouco de texto. E os seus continuam ótimos.

    Ps: hj li de novo e já me pareceu menos machista ou masculino, como queira.
    =)

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  9. OIe!
    Gostei do seu texto! eu tenho essa percepção sobre goiania e as mulheres daqui...mas como eu sou mulher fica sempre parecendo que é despeito, inveja, recalque..bom ver a percepção masculina...
    No inicio quando cheguei aqui...fiquei meio desesperada, pois alem de nao ter uma beleza padrão (vendida pela midia), tambem nao gosto de ficar superproduzida...muito menos de manha cedo p ir a academia...mas 1 ano e meio depois, agradeço a Deus por nao ter me incorporado à essa massa de cabelos alongados, chapados, salto agulha e bochechas rosadas..sou o que sou e sou feliz assim!! É isso aí.

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pode falar, eu não estou ouvindo