quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

justo entendimento


Quase que por desapego eu me apego a ti. Quase, como naquela canção que diz: eu quase fui feliz. Pois nada em você é porto, nenhum pouso é seguro – nada. Eu me afeiçôo a ti por conveniência, por que cansei da solidão e há o risco sempre afiado da tristeza. Como naquela canção que diz: disfarço o vazio com a beleza.

Uma pena eu não saber acertar, mesmo quando quero muito. Esvazio a distância que acumulei nos bolsos. Em certos momentos, o melhor é sumir, desistir da busca, retrair o passo, deixar que a palavra se perpetue em sua própria crista. Como na canção que diz: só por que você sente algo não significa que esse algo exista.

E ao bom coração que me contou certa vez sobre o destino e a fábula das almas puras, resta apenas essa desculpa. Não saberia odiá-lo, ciente do despropósito de seus atos, mas poderia bem viver sem essa consciência de que não estamos a mercê e sem essa esperança de que os frutos que colhemos são exatamente aqueles que plantamos. Como na canção que diz: o silêncio ainda é meu melhor refrão. De qualquer forma, nem importa mais. Apenas me abrace e diga que me ama. Eu farei o mesmo e tentarei acreditar que as minhas palavras não são apenas silêncio disfarçado de certeza.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Nossos amigos imaginários


Decidi não encampar dessa vez a pose de ai-ai-sou-cult-e-sou-contra-feriado, até por que meu carnaval foi bacana. Com certeza não graças ao estonteante desfile de dançarinas gordas e carros alegóricos mais carros que alegóricos pelas ruas de Goiânia. Com certeza, mas certeza mesmo, não graças aos comentários pertinentes e esclarecedores dos comentaristas profissionais de carnaval.
Foi bacana por que tive chance de ver meus amigos. Pude presentear a aninha com uma esfirra de peperoni com chedar do Habibs pelo seu aniversário e fofocar sobre a vida sexual de metade da cidade, sempre puxando a sardinha para a minha própria, claro. Também tive a chance de refletir sobre a origem da Humanidade numa madrugada fantasmagórica, sentado no meio da rua com o Franco e rindo da cara dele enquanto ele tentava me fazer acreditar na condição não retilínea do Tempo e na necessidade essencial de se ler histórias em quadrinhos.Depois ainda pude ficar irritado com gente que cobra cinco reais pra fingir que vigia seu carro, pude fugir do ensaio da banda sem avisar ninguém ( desculpe de novo, Ernesto!) para ser esculachado pelos meus amigos de faculdade. E ainda por cima pude assistir Noivas em Guerra (!!) com uma companhia pra lá de agradável.
Enfim, foi massa. Depois de tudo, ainda consegui pegar o finalzinho do carnaval na TV e passar os olhos pelas multidões brasileiras. Todo mundo se divertindo e eu também. Passei o feriado com os meus amigos, e eles estão passando com os deles.Ttudo OK! Certo que os amigos deles estão absurdamente em maior número que os meus. Quero dizer, eu devo ter visto umas 7 ou 8 pessoas nessa semana. Com exceção do Franco e do pessoal da banda, tive a chance de abraçar, beijar e demonstrar carinho para todos. O resto dos brasileiros foi além. Tiveram a sorte de ver talvez 10 mil pessoas juntas ao mesmo tempo no mesmo lugar e fazendo a mesma coisa. Puderam abraçar, beijar e demonstrar carinho para todas elas ao mesmo tempo, no mesmo lugar e do mesmo jeito. Mas eu me contento com pouco e, além do mais, não sou muito sociável.
O Carnaval, no fim das contas, é como nosso amigo imaginário. Lembra do amigo imaginário? Quando uma criança é muito solitária e tem problemas de convivência, ela pode criar um amigo que a acompanhe e que esteja com ela do jeito que ela quiser. Um dia a criança terá que crescer e então a imaginação precisa se recolher, sob o risco de atrapalhar a maturidade do indivíduo. O carnaval, então, é o amigo imaginário do Brasil, ou de nós brasileiros. Ele supre a nossa falta de comunicação, de conceitos, de profundidade e de realidade. Se o Brasil quer crescer, quer amadurecer, inevitavelmente precisará um dia matar seu amigo imaginário. E isso parece meio óbvio, senhoras e senhoras, muito embora a maioria das pessoas adorem fingir que não: O País só vai ser sério quando parar de começar a vida depois da quarta feira de cinzas. Tá, não dei conta: Ai ai, sou Cult e sou contra feriados...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Eu sorri de volta


Dias atrás eu saía do empório, na avenida 85, quando presenciei uma batida estúpida. A moça saía do estacionamento e o outro não quis esperá-la fazer a manobra. Pegou a faixa contrária e não viu a moto que descia uma das ruas vicinais. Ninguém se feriu gravemente, embora o motoqueiro tenha ficado bastante tempo no chão até resolver se levantar, limpar a sujeira da calça e ir participar de discussão. Isso por que o apressado decidiu colocar a culpa na moça que saía, pois ela o havia forçado a invadir a pista alheia com sua manobra pouco graciosa. A moça, cujo carro ficou preso na batida sem ter batido, só queria escapar logo dali, e demonstrava isso com boa descarga de ironia. O motoqueiro, aproveitou-se de sua óbvia condição de inocente para posar de vítima e terminou de armar circo. Uma pista e meia bloqueada, perto das sete e meia da noite, logo funcionou como um coágulo de trânsito, aglutinando carros, buzinas e rostos franzidos de ambos os lados.
Eu, pedestre, apenas precisava passar, e não queria ficar assistindo a cena como praticamente todo o resto das pessoas que estavam na rua. Os estudantes da universidade viraram as cadeiras dos bares na direção do debate, os transeuntes cruzavam os braços. E eu fui recortando os carros até a outra calçada quando, no começo da travessia, vi a menina. E ela me fez parar.
No banco de trás do quinto ou quarto carro da fila que havia se formado, a menina sorria para mim. Não, não sorria. Dava risada. Uma risada que não podia ser ouvida no meio do tumulto, mas que parecia deliciosa, daquelas que só damos com os nossos melhores amigos. Nenhum escárnio, nenhuma bazófia, não. Uma risada de isopor colorido e serpentina. Eu sorri de volta, acenei. Ela respondeu o aceno e eu continuei andando.
A menina tinha provavelmente 5 anos, 6 anos. Era linda, de rosto redondo, olhos espaçados, e os dentes ainda por se firmar. Tinha síndrome de down. No meio daquele caos, da impaciência, da poluição, da ignorância, da pressa, ela dava risadas.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Sherazade


Há um mês ou menos que sonho constantemente com viagens. Daquele jeito espaçado de sonho, que a gente lembra depois só por aproximação. Em todos, ou pelo menos quase, suponho nunca estar exatamente em algum local, mas sempre indo. Sempre a caminho. Antes da temporada “sonhos de viagem”, houve a série “sonhos de turma”. Teve o capítulo onírico com a turma da faculdade, com a velha turma do colégio, com o pessoal do alemão e assim em consecutivo. Por não poucas vezes gostaria de acreditar mesmo nessa idéia de sonho como presságio, como mensagem ou aviso, mas minha criação só me dá a escolha de entendê-los sob a luz do discernimento. Não que o discernimento nos torne menos místicos, pelo contrário. Trabalha apenas para nos tornar místicos pés no chão, na medida possível do conceito. Mas que dá aquela vontadezinha de tirar dos sonhos o segredo das coisas e a chave das situações, isso dá. De fato.

Acredito que a gente sonhe com anseios e resoluções, mas nada oriundo do subconsciente ou inconsciente ou bulhufas. Para mim, o sonho parece servir como um conselho vindo de uma parte interna mais consciente do que aquela que dirige a vigília. Se não mais consciente, pelo menos mais ajuizada, por não estar constantemente sujeita a tanta interferência. Acordados, despertos e bem dispostos, quase sempre estamos inconscientes. Quantas e tantas vezes não fazemos mecanicamente a vida, usando o pensamento dos outros como nosso, e as sensações dos outros como nossas. E ao fim do dia, do mês, do ano, o quinhão do tempo e da vida que nos pertence realmente é mínimo – gastamos tudo com coisas que nem lembramos depois. Não sei se há consciência nisso. Talvez por isso nossas lembranças mais importantes chegam espaçadas como em sonhos. É palpável lembrar do último jogo do campeonato, mas é etéreo lembrar da primeira vez que encontramos nosso melhor amigo. Uma nos chega com qualidade de DVD, a outra nos chega com chiado de vinil.
Nesses dias que ando só e sem ganas, tentando sem forças me lembrar dos detalhes e das cores de tudo aquilo que me impulsionava, nesses dias andei pensando em só sonhar. Vontade de que as coisas, a vida e as pessoas tenham a mesma cara embaralhada e a mesma certeza pouco lógica dos sonhos. Mas isso também não me parece muito consciente.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Dämmerung


- Ficou legal seu quarto.

- É...mas continua uma bagunça. Espera aí que eu já acho... certeza que tá aqui em algum lugar

- Tudo bem, não tem pressa.Gostei do que você fez com a escrivanhia.

- pois é, deixou mais espaço pros livros.

- e como anda o... como é mesmo o nome... Pedro?

- É Paulo. Vai bem, vai muito bem, vai estar com a gente mais tarde.

- sei. quanto tempo de namoro?

- dois meses agora.

- hm. tinha um mural fotos ali né?

- ah, tá guardado. Foto agora só no pc.

- entendo... mas parece que sobrou umas aqui na gaveta,olha

- onde? não mexe aí poxa! deixa aí!

- uai, é uma foto minha.

- é... só uma foto antiga, devia estar nas tralhas da reforma.

- é...foto da gente...

- é. Ah, tá aqui, sabia que tinha deixado por aqui. Pronto, podemos ir agora.

- Ok.Escuta... posso ficar com ela?

- Com o que?

- com a foto, posso levar?

- não... quero dizer, bem, pode... se você quiser. Eu ia jogar ela na caixa de fotos do armário mesmo.

- se você quiser eu deixo aqui.

- não, pode levar... sério.

- beleza então. Vamos que já estamos atrasados,tá todo mundo lá embaixo esperando.

- ok.

- pegou tudo? deixa que eu levo isso.

- ah, obrigada.

- vamos?

- vamos, mas... zé...

- oi?

- será que você podia deixar a foto comigo?...

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Uma vibe Saiyd


zé diz:hoje eu termino mais uma parte,ou não me chamo joão afonso
Marília! diz:ou paulo otávio
zé diz:essa é a parte boa de ser ignorado pelas mulheres.vc pode se dedicar a coisas mais produtivas.imagina q horror seria se alguma gata gostosíssima estivesse no meu pé? seria terrível
Marília! diz:hahahhahaahah
Marília! diz:vida amorosa é um negócio muito superestimado.quase sempre é questão de puro ego
zé diz:totalmente
zé diz:conheço muitas pessoas que se deram muito bem sem vida amorosa
zé diz:madre teresa de calcutá
zé diz:jesus cristo
zé diz:Buda
zé diz:a lista é imensa
Marília! diz:hahahahahahha
Marília! diz:há controvérsia sobre jesus cristo
zé diz:acho q ele era meio faggot.aquele cabelinho alisadoe aquela pele de bebê em pleno deserto da galiléia
Marília! diz:mas aquele é o retrato europeu
Marília! diz:o da reconstituição tem uma vibe sayid
zé diz:pois é. Jesus foi a primeira vítima da orkutização da imagem
Marília! diz:hahahahahhaha
zé diz:vc olha a foto e não reconhece o de verdade