segunda-feira, 27 de abril de 2009

Fluorescent adolescent


( da coleção de textos criados para, por ou graças à músicas legais:http://www.youtube.com/watch?v=N64QMKEbJQg)


“Descartou as noitadas e ficou com a gentileza”


Você costumava não ter coração. Ou ter um coração que se sentia meio rim: amargo assim como o primeiro gosto de pele. Ou azedo como um beijo que já passou de hora. Lembra de quando você ainda era capaz? Capaz de se desfazer dos ritos e das horas, ser de todas as formas sorriso?


"Você se lembra quando os garotos eram elétricos?"


Você dividia seus dias em janelas de classe média, corria para ver bandas, meninas, guitarras e livros. E o sexo talvez estivesse fora de lugar – ou pertencesse a qualquer outro canto. Eu só queria todas as meninas do universo, e nem precisava ser uma de cada vez. E agora elas são moças, ou são tristes, ou estão sérias, ou ficaram para trás. É fácil não amar quem te ama. Mas não é fácil se esquecer.


" Gostaria que seus cavalheiros não fossem gentis"


Por que ser moço tem dessas coisas chatas. Era ela quem dizia: Você não entende, você é homem.Como todos os outros homens. Você nunca entenderia. E eu guardava as mãos dentro dos bolsos e concordava. O que poderia fazer? Você se lembra quando era fácil pedir perdão? Jurar amor, se ajoelhar. E hoje? Agora que sabemos que as palavras não passam de esconderijos. E que somos exatamente aquilo que diziam que nós seríamos. Não quero te falar sobre como dói essa sua pose, essa sua conversa pré-fabricada, essa sua malícia. Agora que nos olhamos de modo indistinto, talvez por que crescemos, talvez por que desistimos. Não sei mais, não sei mais, não sei. Você se lembra de quando tinha um coração?


quinta-feira, 23 de abril de 2009

Em defesa do sertanejo




Há um desses argumentos fáceis e fósseis muito difundido por aí, nas rodinhas dos defensores dos valores estéticos e da boa moral cultural: o sertanojo é ruim, uma coisa massificada e pobre, mas o sertanejo de raiz não, a música caipira é muito boa. Digo argumento fácil e fóssil por que a maioria das pessoas que fala isso sequer sabe o que está dizendo e reduz seu universo da música de raiz à Cuitelinho. Pois bem, esse post não é em defesa de Pena Branca e Xavantinho ou da música caipira. De certa forma, é uma defesa do sertanojo, do axé e do funk.

Durante a adolescência, essa fase macarrônica da existência humana, eu atacava ferozmente o sertanejo. Contrapunha a ele as melodias perfeitinhas dos beatles, os solos absurdos do Led ou a velha ladainha favorita dos brasileiros de falar da letra do Chico ou das barbas do Hermeto. Falava bem também da bossa e do samba, das letras caprichadas ou dos acordes impossíveis, tudo para rebaixar o sertanejo e colocá-lo na última camada da parte inferior do lado sombrio da banda podre da periferia da gangue do mal e do mal-feito. Sertanejo e o primo do diabo eram a mesma coisa.

O fato é que eu realmente não ouvia sertanejo. Ainda não ouço. É a música que menos me apraz e a única que realmente me desagrada. Literalmente desagrada. De desagradar: de estragar um ambiente, de me fazer voltar para casa mais cedo. Consigo suportar horas de axé ou de funk. Mas o tal do sertanejo, pra mim, é foda. Só recentemente, porém, eu entendi que os argumentos adolescentes que eu usava para atacar o pobrezinho eram furados.

Uma discussão ainda mais aguerrida que rola nos círculos dos intelectualizadinhos e afins (dentro dos quais eu me encaixo) é a da diferença entre gosto pessoal e valoração estética. Eis, na verdade, uma discussão que parece ser importante. Uma música pode ser ruim ou boa de acordo com uma série de padrões estéticos que remetam a esforço intelectual ou criativo. Claro: um cara que compõe uma sinfonia se esforçou muito mais, imensamente mais, que o que compôs um axé. A música dele, musicalmente falando, possui qualidade muito superior, muito mais nuances e sacadas, muito mais riqueza. Evidente que isso não significa que ela vai ser boa. Significa talvez que, se ela for boa, suas virtudes serão apreciadas apenas por aqueles que têm um nível de esforço e refinamento estético próximo ou igual ao do compositor.

Digo isso apenas para embasar a seguinte conclusão: eu não gosto de sertanejo exclusivamente por uma questão de gosto pessoal e não por valoração estética, por sertanejo ser nojento, ruim, massificado e pobre. Necas. Meus pais nunca ouviram sertanejo, minha infância passou longe desse tipo de música. Ela não me remete a nada, a nenhuma vivencia de infância, nem à fazenda, nem à festas felizes, nada. Por isso eu não gosto. Não é por meu gosto musical ser refinado ou superior. Balela. Sertanejo possui letras pobres, rimas fáceis, e poucos acordes simples? Ora, ora, e essa descrição também não vale para o roquenrol? Eu adoro punk rock, o ápice da baixeza musical, músicas de 1 minuto com dois acordes e sem melodia. Eu ouço beatles! “ Ame-me, ame-me, me ame/ Você sabe que eu te amo/ E eu sempre serei verdadeiro/ Então por favor: me ame/”. Isso é quase Victor e Leo. Se eu tivesse uma herança musical sertaneja, provavelmente não ficaria achando razões intelectuais para dizer que sertanejo é ruim. Ou ficaria, como o adolescente macarrônico que, na frente dos amigos, defende Chico Buarque e Teatro Mágico e, nas costas, escuta Bruno e Marrone no mp4. Ou ainda aquele que se diz “eclético” para significar que consome música como se fosse bolacha, como se isso fosse uma virtude.

Discuta-se o que quiser, mas no fim das contas, na hora que procuramos na música aquilo que para nós é importante – inspiração, epifânia, prazer, lazer etc – o que vale mesmo é o gosto pessoal. Por isso não digo mais: sertanejo é ruim pra cacete. Digo apenas: eu não gosto de sertanejo como não gosto de gengibre, que aí a coisa perde muito da pretensão.

ps: mas que sertanejo é ruim pra cacete, isso é.


segunda-feira, 20 de abril de 2009

4 razões para se pegar ônibus



A partir de hoje o sit-pass custa R$ 2,25. Circulam pela cidade também os citybus, ou onibinho de playboy, que tem televisão e custa o dobro do outro. Por isso, e por outras, eu resolvi falar um pouco das vantagens de se andar de ônibus pela cidade. Eu sou usuário assíduo, faço um mínimo de 3 viagens por dia, e gosto, sinceramente. Muitas vezes tenho um carro a disposição mas ando de ônibus – por que é bom para quem quer escrever, por que odeio dirigir e por que me sinto culpado de participar dessa orgia de gordos que é o trânsito goianiense. Vamos lá:

1. Pontos de ônibus confortáveis

Os novos pontos de ônibus são azuis e moderninhos. Estão localizados em ruas estratégicas.Mas eles têm algumas restrições: não podem ser usados em dias de sol nem em dias de chuva, nem em dias de mormaço. Os engenheiros especialistas que bolaram os pontos tiveram o tato de desenhá-lo de forma que, em dias de sol, eles só dão sombra durante o meio-dia. Em dias de chuva, você deve subir no banco para que apenas suas pernas sejam molhadas. Sem falar que o primeiro ponto da 87, perto da Átrio, possui a capacidade de se ilhar durante temporais, quando a rua alaga e as pessoas ficam presas no ponto esperando por um ônibus corajoso ou uma balsa.

2. Horários alternativos

Não sei se vocês sabem, mas os motoristas de ônibus possuem uma organização secreta aos moldes da maçonaria e da Rosa Cruz. Nesse grupo fechado, eles realizam estudos misteriosos e seguem regras implícitas. Eles usam inclusive um calendário próprio, baseado nos astecas, uma divisão de tempo única. Os relógios dos motoristas de ônibus, por exemplo, não possuem horas redondas. Por isso eles nunca chegam no ponto às 13h ou às 13h30min. Com a prática, você se acostuma a pegar o ônibus das 13h 24min ou o da 13h56min. Ah, e é claro que, como membros de uma seita fechada, eles gostam de andar juntos, o que significa que invariavelmente você pode pegar ou o ônibus das 13h24 ou o das 13h56 às 14h, por que eles vêm emparelhados. Acreditam na máxima: a união az a força. E o mais bonito é que eles se unem exatamente nos momentos em que sabem que vão precisar de ajuda: ao meio-dia e Às seis da tarde, quando a procura por ônibus triplica.

3. Calor Humano

Um ônibus lotado é um momento de confraternização cristã. Você se sente como Cristo na hora em que o padre distribui a hóstia e diz: receba o corpo de Cristo. Passear de ônibus lotado é dividir seu corpo entre os irmãos e receber pedaços dos corpos dos irmãos em retorno. Cotovelos, cabelos, bactérias, saliva, tudo é dividido coletivamente, sem desigualdade social. A despeito de todas as indicações, andar num ônibus lotado é muito mais seguro que andar em ônibus vazio. As pessoas ficam tão espremidas, tão compactadas que, se o ônibus por acaso tombar, elas nem se mexem. Sem contar com a oportunidade única de fazer amigos, fechar negócios e paquerar geral.

4. Conhecer culturas diferentes

Antes de conhecer os franceses e os chineses, seus hábitos e suas pátrias, eu sugiro que todos façam um tour pelas diversas culturas presentes nos ônibus goianienses. Não há experiência mais proveitosa que conhecer os exóticos vendedores de sit pass. Eles estão sempre com sus trajes típicos, os abadas azul e amarelo cheios de furos refrigeradores e falam uma língua diferente do português. Não adianta tentar conversar com eles, você não vai entender o que eles dizem, embora eles estejam sempre dizendo a mesma coisa: “ só tem de 2 viagens”.


quinta-feira, 16 de abril de 2009

Auto-flagelação


( aproveitando o blog para fazer desabafos intimistas e pouco compreensíveis)


Eu tenho um vício. Da mesma forma que Martin Luther King tinha um sonho, eu tenho um vício. Da mesma forma que ele, provavelmente meu vício vai me matar.
Se não matar no sentido literal da coisa, com sangue e luzes no fim do túnel, pelo menos matará em vários sentidos figurados. A minha dignidade, o meu conceito, meu tempo e minha virtude, tudo isso corre risco devido ao meu vício. Principalmente por que uma das características mais intrínsecas a esse vício específico é o combate e a destruição de tudo que de valoroso, nobre, humano e sensível eu já tenha adquirido. Eu tenho um vício de me auto-destruir. Cometer apoptose espiritual, reduzir as minhas vaidades ao mais baixo calão – buscar egoisticamente prazer e pensar, de forma ilusória, que encontro prazer no prazer alheio em detrimento ao meu. Pura bobagem.

Há noites que me perseguem e me fazem murchar no quarto. Fincam diante de mim uma série tão vária de perguntas e tantas placas com caminhos trocados, poemas com versos matemáticos, ditados impopulares, cabeças de cavalo. Eu vejo a minha sombra e ela tem mil anos de idade e se pergunta, como os sábios já se perguntaram: Como fazer do homem uma criatura superior se ele ainda é escravo de coisas tão mesquinhas? Como eu posso pensar em arquétipos e deuses se qualquer chuvinha me faz feder como um animal morto, qualquer solzinho me faz suar como um esgoto? Meu vício é me animalizar. Mas isso, afinal, é tão humano...

Der Körper ist eine schwere Belastung.
Die Seele ist ein Vogel mit schwachen Flügeln.
Ich will fliegen, aber...
Der Boden unter meinem Bauch gefählt mir...

domingo, 12 de abril de 2009

Leitura dinâmica da Bíblia


Há, quero ver quem vai conseguir ler um texto desse tamanho!


Madrugada de sábado. Chuva modorrenta lá fora, ressaca de feriado de páscoa, e eu na televisão. Normalmente só consigo assistir televisão de madrugada, por que parece mais ilícito, uma fonte do mesmo prazer criminoso com que Robert Fulghum visitava a geladeira às 3 da manhã atrás de restos de atum com mortadela.

Aqui em casa não temos TV a cabo. Isso significa que as minhas opções eram: Altas Horas, na Globo, um programa religioso no Canal 5 ( que eu não sei o nome), um filme sobre judeus na Band que vem antes do cine Prive ( que é pornografia para menores de 14 anos), um filme sobre Jesus no SBT com as melhores dublagens desse lado da galáxia ( Jesus tem a mesma voz do Batman), o Fala que eu te Escuto e similares na Record e alguma coisa super cultural e despojada na Cultura.

Claro que a escolha foi óbvia: Fala que eu te escuto. E nos intervalos, Jesus de Nazaré no SBT. Eu costumo me divertir pacas com a programação da Record. É tudo tão grotesco que dá aquela sensação boa de uma comédia pastelão. A Igreja Universal do Reino de Deus é tipo o Chaves das religiões. A expressão de seriedade e confiança dos pastores tem a mesma intensidade dramática do momento apaixonante entre a dona Florinda e o professor Girafales. E já notou que todos os pastores da Record tem olheiras?

O programa que eu vi se chamava Saindo da Crise. O formato é o mesmo de todos: um apresentador de terno, sentado, com cara de defunto começa e corta para imagens dos templos lotados com músicas épicas e títulos pomposos. O pastor-apresentador-zumbi-do-mato diz que, segundo Coríntios 666/45-alfa, Deus quer que seus servos vivam na Terra todos os prazeres (o pastor realmente diz isso), que o povo escolhido deverá prosperar financeiramente e ter riquezas. Por isso, continua, ele iria passar uma “reportagem de luxo”. Conseguiu ganhar na hora minha audiência: fiquei intrigado para saber o que era reportagem de luxo.

A reportagem de luxo era uma matéria jornalística básica sobre um restaurante muito caro do Rio de Janeiro. E só! Parecia tirada direto do programa do Amaury Junior. Mostrava os ambientes, entrevistava o dono, entrevistava o bar man. E para completar tudo, saca na tirada do nome: Budha Bar. De fato, mais de uma vez aparece o dono falando que a imagem do Budha na entrada veio do Japão. Quando acaba o quadro, volta para o pastor-apresentador-madrugada-dos-mortos e ele fala que vai mostrar testemunhos de pessoas cuja vida financeira estava arruinada e que conseguiram se reerguer depois de participarem dos cultos “ Exército dos 307”, “ Culto de Milagres” e etc.

Nessa hora eu mudei de canal, por que não gosto de ver gente falando em português errado na televisão ( sim, frescura). No SBT, o Jesus bonitão de barba quase ruiva fazia o famoso “ Sermão da Montanha”, dizendo os hits atemporais: “ Bem aventurados sejam os pobres pois é deles o reino dos céus”. Também tem outras pérolas ( pérolas mesmo, sem ironia) como “ mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos Céus”. Dando uma voltinha rápida, passei na Band no tal filme de judeus. Não sei o nome, só sei que é bem antigo e retratava o preconceito que uma família judia sofria nos EUA da época dos carrões e da brilhantina. Em dado momento, um dos personagens diz algo parecido com isso: “ A palavra do Senhor, que está na Bíblia, me proíbe de ficar na mesma sala de um filho de Sion”.

E o legal, o fabuloso, o fantástico, o bonito mesmo, é que tudo isso foi baseado no mesmo livro, né?

terça-feira, 7 de abril de 2009

Música para acampamento alagado


Aproveitando o período chuvoso e a preguiça de escrever textos longos, deixo aqui uma listinha de músicas batutas. Quando eu estiver com mais ânimo, por favor me lembrem de escrever sobre os seguintes temas verídicos:

- ficar ilhado em um ponto de ônibus durante uma enchente
- Uma conversa instrutiva entre um palhaço e um perneta
- Sobre como eu me apaixonei perdidamente por Lily Allen
- Sobre como blogs acabam com nossa imagem de hetero

TOP 5 de músicas legais para se ouvir em dias de chuva, enchentes, inundações e afogamentos:


1.Rather be ( the verve)
Aproveitando a empolgação do post anterior, aqui mais uma canção perfeitamente cabível nas caras e bocas do Richard Ashcroft
http://www.youtube.com/watch?v=Q1v1m4DhucY

2. Et pourtant ( Charlez Aznavour)
Não tem o que dizer dessa música. Perfeita para enchentes e desabamentos de barrancos
http://www.youtube.com/watch?v=27J3i4xGDA0&feature=related

3. Take back the city ( Snow Patrol)
Eu considero snow patrol uma banda quase boa. As músicas deles são muito parecidas e costumam enjoar depois da terceira audição. Até a segunda, porém, é bem bacana. Ótima música para perder ônibus ou levar caldo de carros na chuva.
http://www.youtube.com/watch?v=lDGzB82bIZc

4. Remédio (acústicos e valvulados)

Eu achava bem mais legal antes de ver a cara de pagodeiro pop do cantor. Maldito youtube. Escute apenas quando acabar a energia ou sua casa for invadida por goteiras.
http://www.youtube.com/watch?v=fexwgF3e45s

5. The mariner´s revenge ( Decemberists)
Essa é uma epopéia, tem o tamanho certíssimo para ser escutada com as meias encharcadas e a barra da calça pesando com barro no caminho para casa. ( releve o clip da música)
http://www.youtube.com/watch?v=BM6TWtYRFDI&feature=related

domingo, 5 de abril de 2009

Bittersweet simphony


Essa é uma música bem batida, eu sei. Todo mundo conhece, todo mundo já cansou de ouvir, até passa na Executiva FM, antes de Lady in Red e depois de Hotel Califórnia. Sem falar naquela história de plágio e brigas milionárias de egos.
Não importa, bittersweet simphony ainda é irrecusável pra mim. Ainda é a canção cujas primeiras notas instrumentais me fazem empertigar a coluna e sentir meu cabelo balançando ao vento ( ele é encaracolado e nunca balança, só em momentos assim). Me dá aquela sensação boa de ser ter dezesseis anos e não ser um imbecil espinhento. Coisas como “eu sou único”, “ eu mudarei o mundo” e “ todas as garotas me acham gostoso” passam pela minha cabeça.

O clipe dessa música é um dos meus favoritos. Acho que todo mundo já viu também, mas não importa, deixo o link no fim. A idéia não podia ser mais simples, nem mais eloqüente: um cara andando na rua em linha reta, esbarrando em quem estiver na frente, passando por cima das pessoas, sem nem ao menos olhar para ninguém. E cantando enquanto isso: “ I can change, I can change, but i´m here in my molde”.

Ele sabe que pode mudar, mas não vai. Ou talvez não consiga. O que mais me impressiona no clip é a fisionomia do Richard Ashcroft, os olhos tortos, as sobrancelhas rígidas demais, os ossos. Parece que tudo está coeso à canção: o rosto, a voz, a rua, a idéia – é como se ele fosse o sentimento da canção. Um rigidez não simétrica – ele fala de um caminho único, mas seus olhos apontam para lados distintos. Uma rigidez que não é apoiada em certeza nenhuma, em conhecimento nenhum: é quase uma covardia. Seguir o caminho que lhe foi imposto apenas por não conseguir se virar para outro lado.Ele sabe que pode mudar, mas não vai. E não é por que não quer, é por que não consegue. A vida assim se torna agridoce, um fardo às vezes, um prazer às vezes. O único caminho que ele conhece, e passar por cima de tudo. Meus dezesseis anos vibram de volta e até sinto alguma espinha crescendo.

Pra quem nunca viu:
http://www.youtube.com/watch?v=Zx3m4e45bTo&feature=related