quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Quarta feira de cinzas


A cidade voltou a se inchar. Em seu retorno, as pessoas encontraram tudo no lugar de sempre: os mesmos problemas, as mesmas irritações, os mesmos desmandos, as mesmas perguntas. Nas ruas apinhadas de carros, nas repartições públicas sonolentas, nos shoppings proféticos, nos bairros de periferia; ainda havia mendigos e peruas, gente drogada e gente indiferente. Ninguém me pareceu mais feliz ou mais leve que antes. Pelo contrário; nos carros, nos pontos de ônibus, nos escritórios, ostentavam a cara amassada de quem acordou a contragosto. Tenho vinte e três anos hoje, e já passei por vinte e três carnavais. Penso em alguém com sessenta anos e me pergunto: vale a pena? Vale a pena um porre de quatro dias e a vida inteira de ressaca?

4 comentários:

  1. Eu gosto de pensar que o carnaval tem algum tipo de função educativa em termos de aprender com os extremos, toda aquela coisa de catarse estilo musiquinha do Chico Buarque que estava se guardando pra quando o carnaval chegasse. Ou isso ou eu estou apenas tentando justificar o fato de que agora tenho pesadelos em que pessoas gritam "Skol latão 3 real".

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  2. Passei por vinte e dois carnavais e te digo: vale a pena o porre de quatro dias. O álcool é um das substâncias mais leves causadoras da ressaca de vida inteira.

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  3. Em resposta ao texto, cito parte de um texto de um outro blog: "dias úteis só são possíveis por causa do fim de semana, subterfúgios canalizam nossos excessos e tornam os horários de trabalho suportáveis".

    Tha.

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pode falar, eu não estou ouvindo