quinta-feira, 16 de abril de 2009

Auto-flagelação


( aproveitando o blog para fazer desabafos intimistas e pouco compreensíveis)


Eu tenho um vício. Da mesma forma que Martin Luther King tinha um sonho, eu tenho um vício. Da mesma forma que ele, provavelmente meu vício vai me matar.
Se não matar no sentido literal da coisa, com sangue e luzes no fim do túnel, pelo menos matará em vários sentidos figurados. A minha dignidade, o meu conceito, meu tempo e minha virtude, tudo isso corre risco devido ao meu vício. Principalmente por que uma das características mais intrínsecas a esse vício específico é o combate e a destruição de tudo que de valoroso, nobre, humano e sensível eu já tenha adquirido. Eu tenho um vício de me auto-destruir. Cometer apoptose espiritual, reduzir as minhas vaidades ao mais baixo calão – buscar egoisticamente prazer e pensar, de forma ilusória, que encontro prazer no prazer alheio em detrimento ao meu. Pura bobagem.

Há noites que me perseguem e me fazem murchar no quarto. Fincam diante de mim uma série tão vária de perguntas e tantas placas com caminhos trocados, poemas com versos matemáticos, ditados impopulares, cabeças de cavalo. Eu vejo a minha sombra e ela tem mil anos de idade e se pergunta, como os sábios já se perguntaram: Como fazer do homem uma criatura superior se ele ainda é escravo de coisas tão mesquinhas? Como eu posso pensar em arquétipos e deuses se qualquer chuvinha me faz feder como um animal morto, qualquer solzinho me faz suar como um esgoto? Meu vício é me animalizar. Mas isso, afinal, é tão humano...

Der Körper ist eine schwere Belastung.
Die Seele ist ein Vogel mit schwachen Flügeln.
Ich will fliegen, aber...
Der Boden unter meinem Bauch gefählt mir...

2 comentários:

  1. Bem, tente morar num lugar que tem um espelho diante do vaso sanitário e você vai passar a ver a dignidade humana com outros olhos...

    Outro ponto: auto-destruição é uma atividade muito comum entre várias boas pessoas. A notícia ruim é que não costuma fazer bem no longo prazo.

    Observação final: o bom dos posts pessoas e um tanto quanto crípticos é que podem me dar a sensação de que eu sei do que você está falando mesmo que eu, provavelmente, esteja enganado.

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  2. Alfredão do posto16 de abril de 2009 20:04

    Bem Zé, o caso é que todo mundo gosta de se martirizar de uma forma ou outra. Isso é mesmo muito humano.
    Bjos do Alfredão!

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pode falar, eu não estou ouvindo