domingo, 12 de abril de 2009

Leitura dinâmica da Bíblia


Há, quero ver quem vai conseguir ler um texto desse tamanho!


Madrugada de sábado. Chuva modorrenta lá fora, ressaca de feriado de páscoa, e eu na televisão. Normalmente só consigo assistir televisão de madrugada, por que parece mais ilícito, uma fonte do mesmo prazer criminoso com que Robert Fulghum visitava a geladeira às 3 da manhã atrás de restos de atum com mortadela.

Aqui em casa não temos TV a cabo. Isso significa que as minhas opções eram: Altas Horas, na Globo, um programa religioso no Canal 5 ( que eu não sei o nome), um filme sobre judeus na Band que vem antes do cine Prive ( que é pornografia para menores de 14 anos), um filme sobre Jesus no SBT com as melhores dublagens desse lado da galáxia ( Jesus tem a mesma voz do Batman), o Fala que eu te Escuto e similares na Record e alguma coisa super cultural e despojada na Cultura.

Claro que a escolha foi óbvia: Fala que eu te escuto. E nos intervalos, Jesus de Nazaré no SBT. Eu costumo me divertir pacas com a programação da Record. É tudo tão grotesco que dá aquela sensação boa de uma comédia pastelão. A Igreja Universal do Reino de Deus é tipo o Chaves das religiões. A expressão de seriedade e confiança dos pastores tem a mesma intensidade dramática do momento apaixonante entre a dona Florinda e o professor Girafales. E já notou que todos os pastores da Record tem olheiras?

O programa que eu vi se chamava Saindo da Crise. O formato é o mesmo de todos: um apresentador de terno, sentado, com cara de defunto começa e corta para imagens dos templos lotados com músicas épicas e títulos pomposos. O pastor-apresentador-zumbi-do-mato diz que, segundo Coríntios 666/45-alfa, Deus quer que seus servos vivam na Terra todos os prazeres (o pastor realmente diz isso), que o povo escolhido deverá prosperar financeiramente e ter riquezas. Por isso, continua, ele iria passar uma “reportagem de luxo”. Conseguiu ganhar na hora minha audiência: fiquei intrigado para saber o que era reportagem de luxo.

A reportagem de luxo era uma matéria jornalística básica sobre um restaurante muito caro do Rio de Janeiro. E só! Parecia tirada direto do programa do Amaury Junior. Mostrava os ambientes, entrevistava o dono, entrevistava o bar man. E para completar tudo, saca na tirada do nome: Budha Bar. De fato, mais de uma vez aparece o dono falando que a imagem do Budha na entrada veio do Japão. Quando acaba o quadro, volta para o pastor-apresentador-madrugada-dos-mortos e ele fala que vai mostrar testemunhos de pessoas cuja vida financeira estava arruinada e que conseguiram se reerguer depois de participarem dos cultos “ Exército dos 307”, “ Culto de Milagres” e etc.

Nessa hora eu mudei de canal, por que não gosto de ver gente falando em português errado na televisão ( sim, frescura). No SBT, o Jesus bonitão de barba quase ruiva fazia o famoso “ Sermão da Montanha”, dizendo os hits atemporais: “ Bem aventurados sejam os pobres pois é deles o reino dos céus”. Também tem outras pérolas ( pérolas mesmo, sem ironia) como “ mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos Céus”. Dando uma voltinha rápida, passei na Band no tal filme de judeus. Não sei o nome, só sei que é bem antigo e retratava o preconceito que uma família judia sofria nos EUA da época dos carrões e da brilhantina. Em dado momento, um dos personagens diz algo parecido com isso: “ A palavra do Senhor, que está na Bíblia, me proíbe de ficar na mesma sala de um filho de Sion”.

E o legal, o fabuloso, o fantástico, o bonito mesmo, é que tudo isso foi baseado no mesmo livro, né?

6 comentários:

  1. Aí Zé, sua vida vale mais, hein?
    Sumiu, vê se passa aqui no posto de vez em quando.

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  2. Alfredão do posto12 de abril de 2009 18:31

    Aí Zé, sua vida vale mais, hein?
    Sumiu, vê se passa aqui no posto de vez em quando.

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  3. Eu sempre digo que adaptações são perigosas...E nem falo do Watchmen...A bíblia é basicamente um daqueles testes com manchas onde cada um vê o que quer...

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  4. Curiosidade Bíblica: Você sabia?
    - Agulha era como chamavam uma pequena porta que dava acesso a Jerusalém pelos muros que cercavam a cidade. Os forasteiros para poderem passar, deveriam descer de seus camelos atravessando a pé e o animal para entrar tinha que se encurvar até o chão, como uma humilhação. Daí vem a metáfora.

    Fique com Deus. Ixalá!

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  5. Se alguma hora vc voltar aqui, pra acalmar as chateações, eu li...
    =]

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  6. ps.: núcleo é de núcleo de publicidade e propaganda.hehe
    é de fê.

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pode falar, eu não estou ouvindo