sexta-feira, 23 de abril de 2010

A comunicação diária



Sou um entusiasta da Linguagem e de tudo que se relacione a ela. Isso explica o meu gosto por falar, por ouvir e conversar. Explica ainda por que fico muito atento a discursos, passo horas ouvindo pregações de pastores na tv, ou conversas de ponto de ônibus. Tento distinguir nas falas os maneirismos, as intenções, os pensamentos refletidos, como tal pessoa construiu aquela idéia, como ela foi entendida? É um exercício de observação que realmente me dá prazer. E cada vez mais eu percebo que, no geral, as pessoas falam muito e se comunicam muito pouco. Há uma névoa espessa entre o que dizem, o que querem dizer e como são entendidas. Não sei se essa realidade se restringe aos ambientes que freqüento, ou ao tipo de gente com quem convivo. Talvez seja uma característica endêmica de lugares onde o nível de escolaridade e cultura vai de baixo a mediano. Mas, ao mesmo tempo, não posso dizer que os intelectuais e artistas se entendam melhor que os outros. Pelo contrário! Minha compreensão atual é a de que, na verdade, o que impede a comunicação está menos relacionado ao nível social e mais à intenção com que se fala. Em termos logosóficos, o problema está no pensamento que gera a ação. Percebo que poucas vezes as pessoas falam com o intento real de se comunicar. Na maioria dos casos, por trás do que dizem está a necessidade de afirmação, a vaidade, duplas intenções, carência afetiva, ou apenas verborragia. Quantas vezes não notamos que aquele jovenzinho metido a filosofo constrói um discurso cheio de meandros não para ser entendido, deus o livre, mas para ser admirado? Ou quantas vezes não temos que lidar com aquela senhora semi-desconhecida que nos conta toda a vida dela, dos filhos e do vizinho não para que nós entendamos, mas para que ela mesma se desafogue do silêncio?Claro, todo discurso tem uma intenção subentendida. O que tento dizer aqui é que muitas vezes essa intenção não passa necessariamente por se comunicar, no sentido de realizar um intercâmbio de entendimentos entre duas ou mais pessoas. Muitas das vezes, trata-se apenas do exercício solitário de criar discurso, algo que prescinde do outro. Ou, melhor dizendo, da prática solitária de criar uma imagem de si mesmo para os outros, de maneira que o outro contribua com aquilo que é esperado. Enfim, para não ficar muito extenso, vou dividir esse texto ao meio. Por hoje é só, pessoal.

7 comentários:

  1. Essa gente que escreve em blog só quer discursar e nada de comunicar, só desafogar o silêncio mesmo. Já saquei isso faz tempo.

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  2. Tem o que você fala. O que você acha que fala. O que as pessoas escutam você falando. E o que você realmente (não) falou. É isso?

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  3. Diógenes Persival23 de abril de 2010 06:57

    Use parágrafos e filtro solar. Só leio figuras.

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  4. Acho que é mais uma ultra necessidade do ser humano de utilizar todas as armas possíveis a seu favor,seja pra construir sua imagem ou apenas expressar-se oq pensa e oq poderia ser melhor do que a escrita,a linguagem e como cada um usa a imaginação a seu favor?

    - À espera da segunda parte! [2]

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  5. Omg! ando tão lenta que esqueci de preencher o nome e url x_x
    bom.. Sobre o anônimo ali na verdade é meu comentario, bejões.

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  6. O discurso sempre representa uma grande parte da construção de identidade, seja no grupo de indivíduos que for. Mais do que a mensagem teoricamente contida (ou não) nas palavras ditas, o discurso sempre vai se focar num tipo de imagem, num tipo de identidade, que o falante quer exibir, quer usar como representação.Ou seja, realmente, cada vez menos as pessoas falam pra se comunicar e cada vez mais pra construir imagens, identidades.

    E claro, ainda não citaram o nome da Leila Lopes nos comentários.

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pode falar, eu não estou ouvindo