sábado, 2 de julho de 2011

Haverá Tempo



Para sentarmos como antes, e conversamos até tarde, nas varandas escondidas dessa cidade? Haverá tempo para o silêncio ou a moderação? Seria preciso muito tempo para o silêncio que venho ensaiando, que venho enovelando por dentro, enquanto falo meu nome. Seria preciso muito tempo para fechar as feridas que estou abrindo. Anos passam qual noites, e haverá tempo para desistir de amores-perfeitos, ou para resgatá-los, para perdoar beijos e afagos, haverá tempo para surpreender os pássaros em vôo? Ou segui-los? Haverá tempo para a televisão desligada, como um quadro negro, ou para a primeira hora da manhã – acordar e vestir quem somos? Haverá tempo para nos lembrarmos do que realmente é importante? Haverá tempo para a nudez delicada dos tímidos? Para ter medo de se abrir e sangrar? Haverá tempo para aprender japonês, para criar origamis, para desenhar foguetes com giz na calçada? Para contornar o mundo em um pé só ? Para jogar xadrez ou ver as meninas bonitas e burras? Haverá tempo para desistir? Para confessar erros ou acertos? Para escolher outro rumo, e recolher velhas âncoras, e se lançar a novos mares? Para se sentar à proa, como antes, e prever o tempo? Meses passam como nuvens.

Um comentário:

  1. Gosto do tom de saudade, ainda que triste; da sensação de proximidade com as angústias do texto; da mistura de sensações e sentimentos; da frase "acordar e vestir quem somos"; e disto que tenho notado: as frases que terminam seus textos - porém, ainda não sei as melhores palavras para dizer mais sobre essas frases.

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pode falar, eu não estou ouvindo